Confidência(s)
Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as sílabas te queimassem os lábios
sopra-o com a suavidade
de uma confidência
para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteça
Porque eu cresço para ti
sou eu dentro de ti
que bebe a última gota
e te conduzo a um lugar
sem tempo nem contorno
Porque apenas para os teus olhos
sou gesto e cor
e dentro de ti
me recolho ferido
exausto dos combates
em que a mim próprio me venci
Porque a minha mão infatigável
procura o interior e o avesso
da aparência
porque o tempo em que vivo
morre de ser ontem
e é urgente inventar
outra maneira de navegar
outro rumo outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos
No húmido centro da noite
diz o meu nome
como se eu te fosse estranho
como se fosse intruso
para que eu mesmo me desconheça
e me sobressalte
quando suavemente
pronunciares o meu nome
Mia Couto
20 impressões:
gostei muito do poema...a musica é um cadinho triste :0)
Obrigado pelo poema de Mia Couto. Li as primeiras coisas dele em Maputo, em 1982. Continua a seleccionar bem os poemas. Estou a gostar. Abraço
chá forte para estas horas da noite mas tem um sabor delicioso.obrigada e boas férias se for caso disso
permita que o felicite pelos textos,fotos e música que tem partilhado.uma questão:já costumava passar aqui mas hoje quis deixar umas palavritas(também sou fã do Mia Couto)e não consegui sem abrir uma conta GMAIL.nalguns blogs que frequento não foi preciso.terá sido problema meu?obrigado e parabéns
João Fortunado
Maravilhoso. Nunca tinha lido um poema do MC. Obrigada.
cant comment the words hahah but i love this band...thanks for that Jai take care mate ;)
Lindo poema e a canção...perfeita.
Gostei muito.
----Um Beijo!---
ja vi estes marafados aqui e sao muita xatos pah........ganda poesia......tassebem
Mia Couto é um escritor que aprecio bastante e surpreendeu-me encontrar um poema dele que não conhecia.Um extraordinário poema!Obrigado.
A D O R E I xoxo*
li e reli, depois li com um segundo sentido na intenção, de todas as formas é sempre surpreendente...
a musica intensa quando suave, fiquei curioso com o instrumento com que a senhora superconcentrada dá uma sonoridade especial a esta musica...
Olá, João.
Não foi um problema "técnico" seu; preferi optar por não permitir comentários anónimos já que dessa forma se evitam, entre outras "coisas", aqueles sempre aborrecidos spams que por aí proliferam. Digamos que fica mais confortável assim...
Obrigado pelas visitas e palavras e volte sempre que lhe apetecer. O prazer é meu.
Arménio, aquilo é um instrumento chinês chamado 'yangqin' e remonta a 2500 A.C., como eles próprios explicam aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=pG8lJpTXQNs
Se copiares este link ficas com uma ideia muito melhor sobre o
assunto.
Eu conhecia-o apenas como 'santoor' porque é usado nalgumas partes da Índia (noroeste, principalmente) e tem um som fantástico.
Também é tocado com dois pauzinhos de bambu com diferentes tipos de materiais nas extremidades, conforme a maior ou menor suavidade e rapidez que o músico pretende imprimir.
Não sabia poder gostar tanto do Mia Couto, este poema é incrivel, já tinha gostado bastante da fábula.
Quanto a Dead can Dance ouve "gloridean"
"Bambu Tea", o incenso que arde e me acalma. "Oasis", o que ouço agora. "Mia Couto", com este poema fez-me chorar ( coisas lamechas e afins, a fase não é das melhores). "Obrigada", é o que me resta dizer porque "isto" era o que precisava de ouvir.
"Beijo".
este poema é fabuloso.tocou-me muito e também não fazia ideia, como outros antes mim,que o Mia Couto escrevia poesia.obrigado
muito bonito e tem várias leituras todas bonitas.a música faz arrepiar
Fantástico!Uma verdadeira pérola desconhecida também para mim.Faço minhas as palavras da Nela.Continue que nós gostamos muito.
ah compreendido!obrigado pela explicação
coolness ;) abrço
precious
God bless
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